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    Música
    05 de Agosto de 2008 - 15h14min
    Documentário

    Símbolo da boemia carioca, Lapa ganha documentário

     
    Eles não deixaram o samba morrer, não deixaram o samba acabar. Por conta disso, há dez anos a Lapa, reduto da boemia carioca, virou point não só de sambistas, mas ganhou status de pólo de cultura. Eles são novos bambas como Teresa Cristina, Moysés Marques e Pedro Holanda, e antigos agitadores culturais como Perfeito Fortuna e Lefê Almeida, que vão estar no documentário “Sistema Lapa de Samba”.

    “Os antigos falam da volta da Lapa, mas não é volta. A Lapa nunca foi isso que é hoje, é muito mais hoje do que foi. É a carteira de identidade do carioca”, define Perfeito Fortuna, no filme. “Falam muito de resgatar a identidade, mas acho que é mais um reconhecimento da própria identidade”, completa o músico Moysés Marques, cria desse movimento.

    Também revelado no mundo do samba quando os olhos se voltaram para o bairro, Pedro Holanda vê mais do que ânsia de cultura como alvo de interesse da área. “Esse boom da Lapa não é só um movimento cultural, tem um sistema de lucro, de capitalismo”, ressalta ele.100 mil pessoas por fim de semana
    “Alguns movimentos culturais duram dois ou três anos, em determinado espaço físico, e se diluem enquanto movimento, apesar de revelar artistas que seguem. Na Lapa isso já dura 10 anos, continua crescendo e, apesar de sempre se achar que estava no auge, ainda não chegou ao fim. O que acontece lá é muito relevante, histórico”, resume o jornalista e diretor do documentário Bruno Maia.

    Segundo Bruno, na última pesquisa oficial, com data de 2004, eram 100 casas abertas nos poucos metros quadrados do bairro. “Hoje se calcula cerca de 100 mil pessoas passando por lá todo fim de semana. É como se fosse um show no Maracanã toda semana”, exemplifica.

    Ainda sem data prevista de estréia, Bruno entrevistou cerca de 30 pessoas e já reuniu mais de 90 horas depoimentos. Entre eles, Martn’ália, Beth Carvalho, Teresa Cristina, Arlindo Cruz. “Agora está acontecendo uma outra revolução do samba”, avisa o produtor musical Lefê Almeida.




    Fonte: globo.com
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